Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima...
- Admin
- 4 de jul. de 2017
- 6 min de leitura

E assim o Galo fez... Reconheceu a queda e não desanimou. Levantou, sacudiu a poeira e deu a volta por cima!
Nada mais apropriado que esse trecho adaptado da canção Volta por cima, de Beth Carvalho, para começar nossa crônica de hoje.
Vitória para renovar os votos entre time e torcida. Triunfo para lavar a alma e encher de esperança os corações alvinegros no que está porvir.
Reconheçamos o mau começo e que fomos dominados por 25 minutos... Entretanto, nos demais 65 (fora os acréscimos) fomos superiores e merecemos vencer o clássico.
Tá mais do que evidente de que o descanso era o bálsamo que faltava... Não só para recuperar o fôlego, mas também o futebol.
Futebol que o Galo já apresentou na temporada e voltou a jogar nas partidas contra o Botafogo, pela Copa do Brasil, e agora contra o rival.
Os "humilhados" serão exaltados!
Nada como um dia após o outro... Assistir os "perseguidos", a mais ou menos tempo, por parte da torcida serem fundamentais para essa reação do Galo. Quantos já foram expurgados pelo imediatismo do torcedor? Cazares, Fred, Alex Silva, Fábio Santos, Gabriel, Rafael Carioca, Roger Machado e outros tantos...
A torcida atira seus escolhidos a fogueira igual certa entidade religiosa fez nos períodos da inquisição. Inexiste critério, não há pergunta, simplesmente se executa.
Existirão sempre aqueles que justificarão as "barbáries" do torcedor sob a justificativa da passionalidade. E que por esse fato, não podemos exigir desses postura diferente de tal.
Mais eu discordo demais disso! Não só podemos, como devemos exigir do torcedor que o mesmo tenha mais capacidade de discernimento. Ou seja, pensar por conta própria e parar se fazer influenciar por mídia ou discurso de maioria.
Alguém que esteja lendo esse post deve estar se perguntando:
Quer dizer então que eu vejo as coisas e não posso criticar? A resposta que eu tenho pra você é tão clara quanta aquela máxima que diz que toda unanimidade é burra.
Crítica é muito bem-vinda. E acrescenta a partir do momento que tenha fundamento, sendo feita com critério e que parta de você sem a influência de outros.
Até porque, quando não vem de ti, o que você está fazendo não é crítica. E sim, estar a apontar o dedo para este ou aquele sem entender o que realmente está se passando.
Só é capaz de criticar aquele que tem conhecimento de algo. Se não for o seu caso, saiba que está somente a arremedar o discurso doutro.
Dificuldade que virou Oportunidade
Como os grandes empreendedores que enxergam na dificuldade a oportunidade para desenvolverem produtos e processos, Roger Machado encontrou soluções.
E pra satisfação de grande parte da torcida, o treinador optou por dar chance aos jovens formados no Galo.
Jogadores como Yago, Ralph, Leonan, e os recém utilizados Bremer, Cleiton e Marquinhos só foram utilizados mediante o acúmulo de jogos, a escalada crescente no número de lesões e pela ousadia do treinador em apostar nesses talentos.
Aliás, esse mérito precisa e deve ser dado Roger Machado e ao Diogo Giacomini auxiliar técnico e profundo conhecedor das categorias de base do clube.
Além disso, há de se ressaltar as instalações do clube. Trabalho árduo desenvolvido com competência pela Diretoria e pelo André Figueiredo. É justamente pelo fato do CT abrigar todo departamento de futebol do Galo que a comissão técnica pode observar de perto todo o processo de formação de novos jogadores.
Esta proximidade viabiliza a observação de atletas e a integração destes no elenco principal.
Voltando as quatro linhas...
Os 25 minutos em que o rival foi melhor talvez possa ser explicado pela dificuldade no encaixe dos três volantes (Roger Bernardo, Yago e Elias). É preciso ter o entendimento de que os três até então ainda não tinham atuado juntos e falta de entrosamento acabou, de certa maneira, pesando contra.
Contudo, Roger Machado conseguiu por meio das orientações à beira do campo ajustar melhor o posicionamento dos volantes e o Atlético apareceu no jogo... Dos 30 minutos adiante com a marcação melhor ajustada, tanto Thiago Neves quanto Alisson (responsáveis pelos lances de maior perigo) passaram a ter menos espaços para jogar e o Galo ficou mais com a bola.
Um parêntese:
Tanto no jogo contra o Botafogo quanto no clássico o Atlético evoluiu num aspecto do qual entendo ser muito importante. A transição da bola entre setores.
Apesar de não ter seu melhor passador (R. Carioca) no jogo de ontem, o Atlético foi mais veloz na troca de passes e assim a bola chegou com mais rapidez aos homens de frente.
De posse da bola o Atlético entrou gradativamente na partida...
E com a atuação magnífica de Cazares (o melhor em campo) o time empatou e virou o confronto ainda no 1º tempo.
Aliás, o camisa 10 alvinegro vem se notabilizando além das assistências e gols. A bola parada do equatoriano, principalmente as faltas frontais e laterais, vem se tornando em uma alternativa muito eficaz durante os jogos.
Bremer
Entrou um pouco claudicante na partida. Natural de um garoto que se vê solicitado pelo treinador para substituir ninguém mais que o capitão Leonardo Silva aos 3 minutos de jogo e em um dos maiores clássicos estaduais do país.
Falhou no gol anotado pelo Thiago Neves. Ainda sim, fez uma boa partida quando exigido.
Outro Parêntese:
Com a lesão do capitão Léo Silva, Bremer passa a ser a primeira opção para formar a dupla de zaga ao lado de Gabriel para a primeira partida das oitavas de final da Libertadores contra o Jorge Wilstermann na Bolívia.
Pelo tamanho do teste de ontem, principalmente após o ajuste do meio campo quando os zagueiros ficaram menos expostos, não temo quanto a atuação dos jovens zagueiros alvinegros.
Outros destaques:
Excelente partida dos laterais Alex Silva e Fábio Santos. O primeiro, pelo vigor físico e a entrega demonstrada nos jogos. Foi fundamental no segundo gol sendo o responsável pela a assistência no gol de Fred e vem se entendendo bem com o Elias pelo lado direito.
O segundo fez uma partida muito segura defensivamente e se lançou também ao ataque.
Colaborou bastante na recomposição e vem recuperando a regularidade no nível das atuações.
Fred

O cara que faz dois gols num clássico não pode deixar de ser mencionado. Sempre bem posicionado na área, é quase sempre letal quando tem uma oportunidade de gol.
Ainda sobre o camisa 9, antes do clássico, muitas foram as críticas feitas a ele pelo futebol que o mesmo vinha apresentando.
Eu sinceramente, vejo um certo exagero da parte do torcedor e explico o porquê:
Fred vem sendo o tipo de jogador que se doa pelo time. Quando a bola não chega ele sai da área para buscá-la, ajuda na primeira marcação (na saída de jogo do adversário), colabora defensivamente quando o adversário nas jogadas paradas alça a bola na nossa área e se desloca pela direita ou pela esquerda abrindo espaço para a chegada dos meias.
Enfim, vem sendo muito mais que um centroavante em campo. Quanto a expulsão contra o Botafogo eu discordo de grande parte da mídia e dos torcedores. Ao meu ver, houve um grande exagero da parte da arbitragem.
Entretanto, concordo que o Fred foi um tanto quanto precipitado ao chegar junto do Rodrigo Lindoso. Mas, a encenação do volante botafoguense foi digna de estatueta do Oscar.
Rafael Carioca dispensável?
Eu concordo em número, gênero e grau com a opinião do Beto Guerra no seu comentário de hoje no canal da Web Rádio Galo no YouTube quando fala a respeito do volante atleticano.
Para quem quiser ver, do qual eu recomendo muito, segue o link:
Ao meu ver, Carioca ficou marcado pela coletiva a época da saída do Marcelo Oliveira do comando técnico do Atlético. O que o torcedor não percebeu é que não foi só o camisa 5 a dar seu posicionamento contrário ao trabalho do treinador. Outros tantos também o fizeram, só que de maneira menos contundente.
Todos nós sabemos que o jogador passou por uma fase ruim. Todavia, não dá pra deixar de reconhecer que ele tem uma capacidade técnica e tática muito grande. E é, querendo ou não, peça fundamental no esquema do Roger Machado.
É importante porque dá a qualidade necessária na saída da bola do sistema defensivo. Ontem contra o rival, ficou nítida a dificuldade do Atlético em sair da marcação alta feita nos primeiros minutos de jogo. E convenhamos, nenhum dos demais primeiros volantes do elenco (Yago, Roger Bernardo e Adilson) tem tal capacidade.
Portanto, é fundamental que o torcedor tenha mais paciência e entendimento da importância do Rafael para o time. E que é necessário apoio para que o mesmo recupere os níveis das atuações que tempos atrás o credenciaram a convocação à seleção brasileira.
Quem tem a ganhar somos nós atleticanos pois se trata de um grande jogador!
Saudações Alvinegras!
Fotos: Flickr Oficial do Clube Atlético Mineiro