Vale ou não vale?
- Admin
- 4 de set. de 2017
- 6 min de leitura
Olá, estamos de volta para nossa coluna das segundas-feiras. E pra começar bem a semana, que tal uma discussão interessante?
A Copa da Primeira Liga vale ou não vale?

Analisemos...
1. Mérito Esportivo: O campeonato contemplou 16 clubes de oito Estados brasileiros.
Ceará, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Formatada em 4 grupos com 04 times cada, a competição previa a classificação para a fase eliminatória (partida única) os 02 melhores classificados por grupo.
Lembrando que na fase de grupos prevaleceu também o mesmo critério das fases posteriores. Ou seja, turno único. Com times podendo fazer uma ou duas partidas em casa ou fora de seus domínios segundo o regulamento do campeonato.
No caso específico do Atlético foram dois jogos em Belo Horizonte (Cruzeiro* e Joinville) e um fora. A Chapecoense em Santa Catarina.
*Mando de jogo do rival, partida disputada no Mineirão.
Na fase seguinte e eliminatória, o confronto (jogo único) seria disputado na casa do time de melhor campanha durante a fase de grupos**
**Confronto definido segundo o chaveamento proposto no regulamento da Copa da Primeira Liga.
O Galo pra chegar a essa final jogou contra clubes como o rival e a Chape que estão na Série A, passou pelo Internacional e o Paraná Clube que hoje integram a segunda divisão do país.
Pelo nível dos adversários, eu tenho a opinião de que a Copa da Primeira Liga ofereceu maior nível técnico que o campeonato estadual. A título de comparação.
2. Premiação: (não contando com as cotas de transmissão dos jogos)
Segundo publicação do Jornal Hoje em Dia (versão online) a Copa da Primeira Liga pagou aos seus participantes que alcançaram a fase eliminatória as seguintes cotas:
R$ 200 mil pela vaga às quartas de final;
R$ 350 mil aos que chegassem a semifinal;
E outros 700 mil Reais aos finalistas acrescidos outros 900 mil ao campeão da edição 2017.
Numa conta simplificada (ressaltando que não estão inseridos os direitos de transmissão) o Atlético pode embolsar, caso confirme a conquista, R$ 2.150.000,00.
Valores que se compararmos com outros torneios disputados pelo Brasil é baixo (inclusive o Estadual).
Entretanto, é preciso ressaltar que a Copa da Primeira Liga foi concebida à luz da organização pelos clubes brasileiros. Com total isenção da Confederação Brasileira de Futebol - CBF.
Portanto, sem os patrocinadores ligados a tal Instituição.
3. Erros do Projeto:
Um campeonato à parte da CBF. Onde cada clube poderia negociar suas cotas diretamente com a detentora dos direitos de transmissão. Esta por sua vez, seria escolhida pelos organizadores do torneio (clubes participantes) segundo o critério de valorização do campeonato.
Ou seja, quem oferecesse maior valor pela Copa da Primeira Liga.
Mas porque então deu errado? Segundo apurado à época, Alexandre Kalil (ex-presidente do Atlético e um dos idealizadores da Liga) questionou a falta de comprometimento com o projeto e a vaidade da parte de dirigentes de clubes participantes como Flamengo, Fluminense e Cruzeiro como pontos fundamentais ao não êxito do torneio.
Outras dificuldades enfrentadas...
Oposição a Confederação Brasileira de Futebol e o fato de que os principais produtos do futebol brasileiro serem chancelados por esta. Como o Brasileirão, a Copa do Brasil e outros. Isto por si só já seria motivo suficiente para esvaziar a Copa da Primeira Liga.
Contudo, fatores como a qualidade técnica dos times (que deveriam privilegiar tal competição, destinado a ela o melhor de seus elencos), o calendário definido (e não se utilizando de datas vazias) e a estrutura da competição (local, qualidade do espetáculo, patrocinadores de peso, dentre outros) não foram observados.
4. Cenário Futuro:
Para 2018 os cenários não estão nem um pouco definidos...
Possibilidade de continuidade, ou não, são tratadas na obscuridade dos dirigentes que hoje gerem o torneio e pela CBF que não deveria, mas interfere nas decisões.
O motivo? Aquele que logo vem a cabeça quando se pensa no que mais aflige clubes brasileiros e seus dirigentes:
O calendário de competições e respectivamente, a quantidade de jogos.
5. Título é título?
Eu penso o seguinte:
É a camisa do Clube Atlético Mineiro que está em campo. Não importando se é o time considerado titular, mesclado ou dito alternativo.
E a partir do momento que a Instituição esteja representada nos gramados, o torcedor quer e anseia por dedicação daqueles que a simbolizam.
Ademais, querendo ou não, o aspecto financeiro tem sua importância a medida que o clube deixou de arrecadar valores substanciais com a eliminação precoce nas Copas do Brasil e da Libertadores da América.
Um pitaco sobre o Atlético nas quatro linhas
Analisando as últimas três partidas do Galo (Ponte pelo Brasileiro, Internacional e Paraná pela Copa da Primeira Liga) eu verifico evolução do time sobre vários aspectos.
Inicialmente, abordando e destacando o sistema defensivo. Somente 01 gol sofrido nesse intervalo. Logicamente que o bloco titubeou em algumas oportunidades, que o Giovanni com uma atuação soberba garantiu a inviolabilidade da defensiva alvinegra no Rio Grande do Sul e que a trave mais "São" Victor nos garantiram no Horto...
Ainda sim, é preciso destacar o crescimento nos níveis de atuação (principalmente defensivamente) de Marcos Rocha e Fábio Santos. Além disso, da contribuição valorosa que Luan e Valdívia dão aos respectivos laterais. A proteção mais efetiva com Adilson e Elias frente a área atleticana.
Méritos ao Rogério Micale e sua comissão técnica que vem trabalhando muito no sentido de ajustar os posicionamentos de todos aqueles que originalmente fazem parte do setor e daqueles que durante a partida se tornam parte integrante dessa engrenagem que vem mostrando gradativamente, menos vulnerabilidade.
Minha única ressalva é quanto a formação da dupla de zaga com Bremer e Gabriel (como ocorrera na partida contra o colorado). Ao meu ver, Bremer ainda carece de mais maturação.
Em muitos momentos da partida, ele apresenta sinais de precipitação. Em outras situações, se mostra muito afoito quando a ocasião pede por simplicidade.
Não vejam minha opinião como uma crítica demasiada pois não o é. Tanto que ao lado de Leonardo Silva o jovem zagueiro tem seu rendimento aumentado. Sei que a experiência, a baixa nos índices de oscilação só virão com atuações. Mas, se eu posso escolher, prefiro ele ao lado de alguém mais experiente.
Volantes
Me agradou muito a formação com Adilson e Elias.
O primeiro, atuando de forma mais fixa. A frente da área e protegendo os zagueiros.
O segundo auxiliando na marcação, aparecendo como elemento surpresa no campo de ataque e anotando seus gols. Fora assim contra a Ponte e no sábado último, contra o Paraná.
O Elias do esquema Rogério Micale em muito se assemelha a aquele jogador dos tempos de Corinthians. Atuando justamente na posição em que mais rendeu.
Três meias-atacantes
Esse sistema com Luan (aberto pela direita), Cazares (centralizado, ora à esquerda) e Valdívia (à esquerda, ora pelo centro invertendo com o equatoriano) vem funcionando bem.
Além de ter a função de dobra defensiva com os laterais Luan e Valdívia vem sendo as válvulas de escape nos contra-ataques.
Ofensivamente, vem fortalecendo as jogadas pelo lado com o apoio destes mesmos laterais.
Com eles em campo o time passou a alçar menos a bola na área e passou a utilizar-se das tabelas, toques curtos e infiltrações para surpreender os adversários.
Este novo perfil de jogo ficou muito evidente nos jogos contra o Inter e o Paraná.
Cazares por sua vez oscila dentro do jogo. Ora com assistências espetaculares, ora desligado do mesmo ou escondido atrás da marcação adversária.
Espero pelo dia em que o camisa 10 atleticano assuma de vez a condição de protagonismo que ele pode ter por sua condição técnica e tática. E que seja mais regular no nível das suas atuações.
Posse de bola
O Atlético de Micale não só diminuiu consideravelmente a quantidade de bolas cruzadas, como passou a ficar mais com ela. E fundamentalmente, passou a jogar com passes mais curtos.
Foram reduzidos também, o número de lançamentos longos e ligações diretas.
Rogério parece aos poucos implantar um estilo de jogo de domínio frente ao adversário. O que é muito interessante.
Entretanto, o time precisa de mais de velocidade nas transições (algo que vem sendo trabalhado continuamente e já foi identificado em alguns momentos das partidas).
Fred e Robinho
Sem dúvida alguma que estão muito abaixo no que tange a capacidade de ambos.
Todavia, o comandante atleticano vem tratando a situação dos jogadores com muito cuidado e afinco.
Está muito claro o apoio psicológico que Micale vem prestando a ambos no intuito de recuperá-los quanto ao aspecto da confiança.
Confiança no sentido de tentar uma jogada, de não se influenciar pelo erro, pelo apupo do torcedor...
A insatisfação, ao meu ver justa, vinda das arquibancadas ainda os atordoam.
E Rogério sabiamente vem reintegrando ambos de forma gradual e sutil de forma a restaurá-los perante a imagem do atleticano.
Micale em 2018?
Seria muito complicada qualquer avaliação, ao menos nesse momento, em tal direção.
Ainda sim, não me refuto em dizer que ele (Micale) está fazendo um bom trabalho.
Sobretudo, quando consideramos a condição na qual ele assumiu o Galo dentro das quatro linhas e todo o cenário caótico existente nos bastidores do clube.
Independente do que poderá vir a acontecer eu sou só elogios e agradecimento ao trabalho até então feito pelo treinador.
E o futuro? Esse a Deus pertence e só o tempo nos dirá o que vai acontecer...
Saudações Alvinegras!
*Foto: ESPN Brasil - Uol